domingo, 29 de abril de 2012

Fundações – Ação de Teresa Como FUNDADORA, CONSELHEIRA e MISSIONÁRIA


Encontro de presidentes, formadores e conselheiros.


TEMA: Considerai-vos alicerces daqueles que virão (F 4,6)

LEMA: Estais edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, do qual é Cristo Jesus a pedra angular (Ef 2,20)


Fundações – Ação de Teresa Como FUNDADORA, CONSELHEIRA e  MISSIONÁRIA
Datas significativas:
1515 – 1535     VINTE ANOS NA CASA PATERNA
1535 – 1562     VINTE E SETE ANOS NO MOSTEIRO DA ENCARNAÇÃO
1562 – 1582     VINTE ANOS: ESCRITORA, REFORMADORA E FUNDADORA.
Teresa: Teresa Sánchez de Ahumada – Teresa de Jesus – nasceu em Ávila em 1515 e morreu em Alba de Tormes, um povoado da província de Salamanca em 1582. 67 anos, longa vida para os parâmetros de então. Sua vida está circunscrita no reino da Castela quando o grande império da Espanha de então tinha à frente Carlos V e de seu filho Felipe II, estamos em pleno século de ouro espanhol, geográfica e espiritualmente. A Espanha conquista o mundo e é fortemente sacudida por um vento de renovação espiritual. Grandeza e miséria estão na linha de frente e muitas vezes contrárias às autoridades romanas.
Datas significativas:
1515 – 1535 – VINTE ANOS NA CASA PATERNA
Fruto do segundo matrimônio de seu pai, Alonzo Sánchez, filho de pai convertido que passou elo processo de aquisição de título de nobreza (judeu-converso) e Beatriz de Ahumada, quinze anos mais jovem que seu esposo, castelhana de Olmedo, família genuinamente cristã. Uma família numerosa: “Éramos três irmãs e nove irmãos”, de classe média alta, de ascendência judia, que emigrou de Toledo a Ávila, para melhor ocultar suas origens, antes de radicar e desenvolver melhor seus negócios.
Aos treze anos morre sua mãe com idade de 33 nos. Com o casamento de sua irmã mais velha, Maria, Teresa se constitui na mulher do lar, centro da casa. Por esse tempo inicia a saída de seus irmãos para tentar a sorte no “novo mundo” (América, mais precisamente no Peru).
Teresa, desperta e inquieta intelectualmente, autodidata, confessa sua paixão pela leitura: “não era feliz se não tivesse um livro novo”.
1535 – 1562:       VINTE E SETE ANOS NO MOSTEIRO DA ENCARNAÇÃO  
Na madrugada de finados de 1535, foge de sua casa e vai ao mosteiro da Encarnação, onde inicia sua vida religiosa como carmelita, professa um ano depois. Seus primeiros vinte anos de vida religiosa se caracterizam por um tempo de crise espiritual que se arrasta, depois dos quais nos deparamos com uma nova Teresa, com traços e perfiz de mulher forte e ágil.
1554, aos 39 anos, converte-se. O marco e contexto nos levam à experiência de oração diante da imagem de Jesus Cristo chagado, quando também lia as Confissões de Santo Agostinho. Maiores detalhes: Livro da Vida nove. Aqui inicia a etapa mística.
1562 – 1582        VINTE ANOS: ESCRITORA, REFORMADORA E FUNDADORA
Vinte anos como escritora e reformadora A evolução espiritual da carmelita, partilhada com um grupo de amigas religiosas, a corrente reformadora e contra reformadora que percorria as terras espanholas de então e a preocupante situação nascida da ruptura protestante, marcam estes vinte anos finais de Santa Teresa de Ahumada. Depois também terá seu lugar dentre suas preocupações o Novo Mundo, com as notícias que a ela chegam.
Na primeira metade do ano de 1562 se dá a estreia de Teresa como escritora entregando a seus acompanhantes espirituais os escritos originais nos quais plasma seu caminho espiritual. E no dia 24 de agosto do mesmo ano inicia em sua cidade natal sua reforma dentro das fileiras do Carmelo. Conta no momento 47 anos. Possivelmente por esse tempo não suspeita o alcance e desenvolvimento que terão estas duas atividades: escritora e fundadora.
Passaram-se cinco anos no mosteiro recém-fundado. No outono de 1567, em Medina del Campo, encontra-se com o recém-ordenado Frei João de são Matias, mais tarde Frei João da Cruz que no momento está com 25 anos, enquanto ela 52. Encontro transcendental não só para eles. Aí se dá o acordo naquela que será a parceria na obra reformadora no Carmelo. Não muito mais que um ano se passa e com três frades, dentre os quais João da Cruz, inicia a reforma entre os frades, em Duruelo, não distante de sua vila natal, Fontiveros, nas mediações entre Ávila e Salamanca.
Em 1571 Teresa volta ao mosteiro da Encarnação como priora da comunidade imposta por seus superiores, menos de um ano após, a pedido seu, tem como confessor (vigário) João da Cruz. Juntos trabalharam na revitalização da comunidade a fins de 1577. São esses ao anos de maior aproximação e convivência de nossos fundadores. No ano de 1577 Teresa chega ao ápice como escritura com seu tratado de vida espiritual Moradas ou Castelo Interior ao mesmo tempo em que o jovem carmelita (João da Cruz) inicia seus nove meses de cárcere (dezembro de 1577 – agosto de 1578).
Dois anos antes se dá o início da maior crise de Teresa com a hierarquia no âmbito eclesial, mas também, internamente, na Ordem. O Núncio Felipe Sega – em cuja boca é colocada a expressão “Inquieta e andarilha” – lhe proíbe de fundar e que se recolha num mosteiro por ela fundado (encarcerada), é denunciada junto à inquisição – lamenta pelo livro da Vida em poder de tal tribunal, anos de padecimento e muito sofrimento. Passa pelos piores momentos até mesmo sua obra como reformadora se vê ameaçada, sobretudo entre os frades, contudo segue escrevendo e fundando, até que cansada de estradas, morre em Alba de Tormes dizendo a seu Esposo, razão de sua vida e caminho, “é hora de caminhar”.
Nossa proposta, dentro do tema e lema do encontro formativo é olhar para Santa Teresa como Fundadora, conselheira e Missionária. Creio ser oportuno trazer à memória Marcos 3,13s: “Subiu Jesus à montanha e chamou a si os que Ele queria e eles foram até Ele. E constituiu Doze, para que ficassem com Ele, para enviá-los a pregar e terem autoridade para expulsar os demônios”. E a partir dessa iluminação bíblica ter em mente a graça que ela nos descreve no capítulo 27 de Vida em que trata do fato cristológico da primeira experiência tem Teresa de Jesus, que se constitui no eixo central de sua experiência[1].  Estamos no ano de 1560 (45 anos de idade), o que nos relata é um acontecimento a ser feito referência em sua história como o ponto de partida de um processo. Converte-se a Cristo: abandona as mediocridades e elimina as resistências que até então havia posto à graça de Cristo. Trata-se de um feito cristológico puro. Ser cristão é relacionar-se com Cristo. Mesmo que a essas alturas já havia tido muitas graças místicas, não sabia, todavia quem era o que se dirigia a ela.
Tal graça Santa Teresa tem no dia de São Pedro no ano de 1560 e é uma visão intelectual (palavra que ela mesma usa em Moradas). Trata-se de um fato espiritual puro. O Espírito do Senhor é colocado diante da pessoa mesma e diminuíram, até quase até a desaparecer, as mediações, porque o espírito da pessoa se sensibilizou diante do Espírito de Cristo.
Experimentar o outro sem a mediação do sensível é algo puramente impensável. É precisamente isto o que lhe sucede. É algo eminentemente inefável e não lhe servem as palavras para explicá-lo: “vi, porém não vi...”. O importante é que para Teresa de Jesus é um marco decisivo em sua vida e para sua missão. A pessoa de Cristo caiu como um eixo em sua vida: Cristo é seu centro orbital. Tudo decorre daqui. Teresa de Jesus: Fundadora / Conselheira / Missionária. Nada faz sem que se refira a essa experiência. Toda sua obra se entende a partir daqui.


 frei Deneval Januário,ocd



[1] Cf.: Vida27 2.3; VI Moradas 2.3; Relações 5ª (54)

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