segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Planejamento na Vida Formativa das Comunidades


XIV Encontro de Presidentes, Formadores e Conselheiros OCDS


O Planejamento na Vida Formativa das Comunidades
Frei Wilson Gomes do Nascimento 





“Quem de vós, com efeito, querendo construir uma torre, primeiro não se senta para calcular as despesas e ponderar se tem com que terminar? Não aconteça que, tendo colocado o alicerce e não sendo capaz de acabar, todos os que virem comecem a caçoar dele, dizendo: Esse homem começou a construir e não pôde acabar! Ou ainda, qual o rei que partindo para guerrear com outro rei, primeiro não se senta para examinar se, com dez mil homens, poderá confrontar-se com aquele que vem contra ele com vinte mil? Do contrário, enquanto o outro ainda está longe, envia uma embaixada para perguntar as condições de paz.” (Lc 14, 28-32)
O trecho de Lucas nos fala das condições/exigências para ser discípulo de Jesus.
Os verbos Construir e Guerrear indicam objetivos/finalidades que se quer alcançar com sucesso.
Os verbos Sentar, calcular, ponderar e examinar nos falam de planejamento. Um ideal ou objetivo que se leva a sério e que se quer atingir não deveria ser improvisado, deixado ao acaso ou à espontaneidade, para não se perder tempo e energias, além de não se alcançar o que se pretendia. A formação por ser importante, essencial, na vida das Comunidades OCDS não deveria ser improvisada, mas planejada (formação em geral: aquela que acontece nas reuniões, nos retiros, nos períodos de lazer, na liturgia, ou devoções, p. ex. via-sacra).

REALIDADE:
Vivemos numa sociedade de Consumo; marcada pela idolatria do ter, do poder e do prazer. As pessoas são levadas a comprar por impulso, a propaganda e o marketing atingem suas metas e objetivos = vender mais. Incentiva-se o individualismo e o egoísmo, além de outros valores diferentes e contrários ao Evangelho e ao seguimento de Jesus.
Nós também podemos aprender com esta sociedade que se organiza para atingir seus fins, que desde cedo começa a ensinar às crianças uma educação financeira: a poupar, economizar, pesquisar preços, administrar o dinheiro e seus impulsos.
A mídia tem falado e ensinado educação financeira: fazer lista de compras antes de sair de casa, definir aquilo que pessoa realmente precisa, para não se deixar levar pelas promoções e liquidações de momento; fazer planilha de gastos fixos, esporádicos, de lazer e ver onde se gasta o dinheiro; estabelecer metas e se propor um caminho para atingi-las.
“... Quem bate às portas do Carmelo Secular são, com poucas exceções, pessoas carregas de compromissos familiares, profissionais e outros tantos compromissos” (Ratio 5). Não se pode perder tempo ou gastá-lo à toa.

PARA QUÊ?
A Ratio no número 52 (Constituições no. 32) diz que:
“O objetivo central do processo de formação da Ordem Secular é a preparação da pessoa para viver o carisma e a espiritualidade do Carmelo em seu seguimento de Cristo a serviço da missão”.
“O propósito da formação é preparar pessoas concretas, inspiradas pelo Espírito Santo, para que possam viver uma vida espiritual segundo os princípios da espiritualidade dos Carmelitas Descalços.” (Ratio 6)
“A formação na Ordem Secular, tanto inicial como permanente, deve ajudar à maturidade humana e cristã dos membros em sua vida de apostolado segundo o espírito e o carisma do Carmelo e sob o impulso do Espírito Santo” (Ratio 93)
“... Nossas comunidades têm como meta específica e fundamental um processo permanente de entender a identidade do Carmelita no mundo de hoje, e descobrir qual é o serviço específico a ser prestado a Deus, à Igreja, à Ordem e ao mundo.” (Ratio 3)
“Uma boa formação depende de uma boa informação. Ao mesmo tempo deve ficar claro que a formação é algo diferente da mera informação. É dever primordial dos responsáveis pela formação acompanhar os formandos para ajudar-lhes a viver o que aprendem no processo formativo. A informação que se lhes dá através da leitura e dos encontros de formação intelectual deve servir-lhes de ajuda no crescimento espiritual da pessoa.” (Ratio 7)

QUEM?
“O Conselho, formado pelo presidente, três conselheiros é o responsável pela formação...” tem como “... responsabilidade primordial (...) a formação e amadurecimento cristão e carmelitano dos membros da comunidade” (Ratio n. 58, Constituições n. 46)
Daí se deduz que a responsabilidade pela formação da comunidade e seu planejamento pertence ao conselho da mesma comunidade. “... sua responsabilidade fundamenta-se em formar a comunidade inteira” (Ratio 2)
Porém, a responsabilidade pela formação da comunidade não é exclusiva do conselho e deve-se promover a colaboração e coresponsabilidade de todos os membros:
“Será de grande ajuda para o desenvolvimento do programa de formação que a pessoa responsável pela comunidade institua, em nome da mesma, uma equipe que possa apresentar a informação necessária. Poderá ocorrer que algumas pessoas da comunidade sejam capazes de apresentar uns temas e outras outros, e assim conjuntamente, apresentarão um programa mais eficaz. Isto também ajuda a não sobrecarregar a quem se responsabiliza especificamente sobre a formação.” (Ratio 8)
O próprio formando é o primeiro responsável por sua formação:
“É o candidato o que tem a responsabilidade primordial de dar o sim a sua vocação e de aceitar as consequências de sua resposta. Isto não significa que ele deva ser o árbitro de seu próprio destino ou um autodidata; (...)” (Ratio n. 22)
“Com um progresso adequado ao longo das diferentes etapas, o candidato deve conseguir uma ideia mais clara da importância e necessidade de nosso carisma.” (Ratio n. 23)
“Pela promessa feita à comunidade (...), a pessoa se converte em membro da Ordem Secular. Por este compromisso se empenha em adquirir a formação necessária para conhecer as razões, o conteúdo e o propósito do estilo evangélico de vida que se assume. (...)” (Ratio n. 46)
“A formação se faz em nome da Ordem em cada um dos territórios e circunscrições (...). Este documento (Ratio), portanto contribui com os princípios elementares de direção geral que deve acompanhar a formação local.
(...) A segunda parte principal apresenta um modelo desenvolvido de formação. Não se trata de um plano fechado, mas de um esboço que ajudará às circunscrições a desenvolver seu próprio e específico programa como é de sua competência. Qualquer província ou circunscrição que já tenha desenvolvido seu programa de formação específico e o tenha submetido à apreciação do Definitório para sua aprovação, pode substituir este modelo pelo programa aprovado.” (Carta do Pe. Geral, 17/9/2009)

ALGUMAS INDICAÇÕES PARA O PLANEJAMENTO
Plano de ação: Planejamento de todas as ações necessárias para atingir um resultado desejado, objetivo (os).
Principal: saber o que fazer, identificar e relacionar as atividades (Programa formativo, com suas etapas, dimensões e responsáveis)
Um bom planejamento, plano de ação, deve deixar claro tudo que deverá ser feito:
WHAT = O QUÊ? e

WHEN = QUANDO?

Se a execução envolve mais de uma pessoa, deve esclarecer quem será o responsável por cada ação:
WHO = QUEM?

Quando necessário, para evitar possíveis dúvidas, deve ainda esclarecer
WHY = os PORQUÊS? da realização de cada ação.

HOW = COMO? Deverão ser feitas.

WHERE = ONDE? Serão feitas.

CHECK = AVALIAÇÃO, Verificação dos resultados.

“Ouço algumas vezes afirmar-se que, no início das Ordens religiosas, como se tratava dos alicerces o Senhor concedia maiores graças aos nossos santos antepassados. E assim é. Contudo, devemos sempre nos considerar alicerces dos que vierem mais tarde. Porque, se agora os que vivemos não tivéssemos perdido o fervor dos antepassados e se os que viessem depois de nós fizessem outro tanto, a edificação sempre estaria firme. Que proveito tenho com o fato de os santos antepassados terem sido desta ou daquela maneira se eu for tão ruim depois, se estragar, com maus costumes, o edifício? (Fundações 4, 6)

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